Sentimentos e esperanças renovadas. O ano apenas começou e Rafael Nadal promete colocar todos os ovos na cesta.
Começou a final em Doha. Foi interrompida. Retomada e foi proclamado o novo campeão da Exxon Mobil Qatar Open. E ao lado, na quadra número um Rafa Nadal faz um treinamento intensivo com Francisco Roig. Mais de duas horas de polindo golpes, procurando esse "algo mais" que deseja para enfrentar os próximos meses e adaptar às novas condições de sua raquete. Para tudo isso continuou por mais 45 minutos no ginásio. De volta ao hotel, Nadal falou com SPORT.
P - Teve dúvidas sobre jogar em Doha, mas no final, foi uma decisão bem sucedida?
RN - Sim, especialmente porque meu ombro respondeu bem. Você nunca sabe, mas no geral muito feliz.
P - Uma boa noção do que está por vir?
RN - Eu sei que estou indo bem, com uma atitude muito mais positiva que eu tinha na segunda metade da temporada passada, especialmente na reta final. Eu levanto todos os dias com a esperança de ir treinar. Eu acho que estou no caminho certo. Na Austrália? (se é o que está pensando). O melhor é chegar pronto. Eu sou capaz de fazer um bom torneio mas nunca se sabe. Eu estou feliz com o nível do meu jogo, como eu estou fazendo e acho que estou semeando para colher os frutos. Embora talvez não na Austrália.
P - A boa notícia é que a temporada mal começo.
RN - Exatamente. Mas para mim, a parte mais importante da temporada é de Indian Wells para Wimbledon.
P - Deixa as Olimpíadas?
RN - Bem, vamos pensar apenas até Wimbledon. Depois disso, vamos encarar os jogos. É neste momento onde eu tenho que ser muito bom, onde eu tenho que ganhar muitos de pontos que são importantes para a temporada: Indian Wells, Miami, Monte Carlo, Barcelona, Madrid. Veremos Madri ... Roma, Roland Garros e Wimbledon.
(Rafa tá afim de pular Madri, é isso mesmo moço?)
P - O que você mais lhe custa lembrar de 2011?
RN - Sensações. De estara mais cansado que o habituall. Mental e, talvez, às vezes, também físico, mas sobretudo mentalmente. Às vezes alguns momentos da temporada eu sentia que fazia algo pesado. Muitos anos de rotina, intensidade máxima a cada semana. Felizmente, isso mudou e as sensações hoje são muito diferentes e eu estou olhando para frente. Quando uma temporada começa, tudo é diferente. Pelo menos, tentar fazer tudo que está em suas mãos.
P - Você se importa de ter de falar quase todos os dias de Djokovic?
RN - Nãããão! Você imagina que Federer passou o mesmo comigo há alguns anos. As histórias se repetem ao longo do tempo, não é nada novo. É apenas uma questão de aceitar a situação, para desfrutar o que eu tenho, que é muito, e continuar trabalhando para tentar ter mais. É isso aí. Djokovic, hoje, merece todos os elogios, porque o que ele tem feito é admirável e muito difícil. Eu sempre tento responder com a maior educação, porque eu acho que isso é assim que deve ser.
( Uhum Rafa não se incomoda de falar, mas eu me incomodo de citá-lo todos os dias aqui =DD)
P - Cada vez que retorna depois de uma pausa, você tem dúvidas. É sua maneira de ser ou há mais?
RN - Bem, eu não sou uma pessoa muito determinada em praticamente nada. Acho que é difícil tomar decisões. Eu não sou uma pessoa particularmente corajosa e logo no começo não sou confiante em mim mesmo. Tenho dúvidas em tudo, mas eu acho que com essas mesmas perguntas eu ganhei muito.
P - Não é dizer que são coisas negativas que têm o ajudado?
RN - Sim, com todo o respeito, ter medo que coisas não vão sair bem e que me faz sempre dar cem por cento. Ter seu lado negativo mas também positivo. As dúvidas fazem parte da vida em geral. Se não tem, na minha opinião, só pode ser por duas coisas: ou é um iluminado ou arrogante. Nada é tão claro nesta vida, se for o caso, muito pouco. Na minha opinião, é claro.
P - Então as mudanças em sua raquete estão mais que pensada.
RN - Sim. Propomos acabar Wimbledon mas acabei me lesionando, porque joguei infiltrado desde a partida de oitavas de final com Del Potro, preferimos esperar um tempo. Após o US Open tentamos também. Então nós colocamos peso demais na raquete, e não podia ter o controle da bola por isso era muito arriscado e paramos novamente. Era o fim da temporada, pensando que teria um mês para trabalhar, era um bom momento. Não pode ser e por isso eu digo que preciso de tempo. Três gramas no quadro superior da raquete e é perceptível. Mas concluímos que eles podem me ajudar com meu serviço, que não sendo o mesmo da reta final de 2010, e com meu jogo de ataque, ligando mais golpes vencedores, e especialmente com o backhand.
P - Amanhã é a premiação da Bola de Ouro. Você ama futebol. Quem você acha que vai ganhar?
RN - Certamente Messi. Eu gostaria que ganhasse um jogador espanhol (em clara referência a Xavi Hernandez), mas Messi merece. É inegável que é um jogador muito especial.
Futebol o esperava. Madrid jogou ontem e ele, como sempre quando as circunstâncias lhe permitem, não perdeu detalhe. Mas também não perdeu quando jogou o jogo da Taça contra o Osasuna. Rafa declarou: "Um outro show, como de costume."
P - Talvez não foi entendido corretamente o anúncio de sua renúncia, depois de vencer a Copa Davis em Sevilha.
RN - É simples de explicar: a nossa agenda, até que tome as decisões necessárias para mudar o calendário é muito apertada. E você tem que encontrar janelas para descansar. Quando você tem 18 anos vai para todos (os torneios), mas à medida que envelhecemos tudo fica complicado. Também o fato de ter ganho quatro Copa Davis desde 2004, praticamente com esta equipe. Eu fiz parte das quatro e David (Ferrer) três. Simplesmente, a Davis Cup é uma competição demandante.
P - Mas não é competição, em teoria, que rende muito?
(Ele quis dizer financeiramente)
RN - Apenas da se você ganhar. Se não, não. É o de sempre. Esforços e os benefícios não são iguais, há um equilíbrio entre eles. As pessoas de fora podem pensar "total, são apenas três dias, e olhe lá". Para nós é uma semana de trabalho intenso, em que provavelmente haverá uma mudança de superfície, com consequente perigo para o seu corpo, no meu caso, com os joelhos. Vai se fazendo esforços, mas finalmente percebe que não pode estar em toda parte. E eu não disse que não iria jogar a Copa Davis nunca mais.
P - Pareceu que foi interpretado assim.
(Na boa interpretou assim quem quis, porque é óbvio que quando ele anunciou isso ele já estava pensando nas Olimpíadas. Mas o que seria da vida sem uma intriga pra apimentar.)
RN - Não, não é isso. Por enquanto, as duas primeiras rodadas de 2012 não jogarei. Fevereiro eu preciso descansar e depois de Miami preciso me preparar bem para a temporada de saibro. E eu não posso arriscar. Eu sinto necessidade destas semanas para mim. De fora tudo é muito bonito e odeio ter de ser sempre eu a dizer essas coisas, mas essa é a verdade. A ITF faz pouco esforço para manter o valor que a competição merece.
P - Com suas reivindicações parece que você é o rebelde.
RN - Não tenho necessidade de ser ou dizer qualquer coisa. Não ganho nada com isso. Mas eu me sinto obrigado a torná-lo conhecido. São 20 anos no mesmo formato, sem evoluir como fizeram outros esportes. No final, a única força que resta é fazer você sentir que essa é a única competição em que você defende seu país. Mas não se deixe enganar. Jogando aqui em Doha eu estou defendendo o meu país, eu o farei, na Austrália. Somos os representantes do nosso país a cada semana que jogamos.
P - Estamos falando de algo como uma 'chantagem' emocional?
RN - Um pouco. Eles jogam com esse sentimento e você se sente obrigado. E eu quero jogar a Copa Davis por que as sensações que vivo, especialmente com o público, não se comparam a nenhuma outra. Na Copa Davis jogo especialmente para as pessoas
P - .No entanto, está última final contribuiu com algo, teve algo positivo?
RN - Claro que sim! E eu apreciei como nunca antes. O ambiente que eu vivi lá, eu não sei se vou viver a minha vida inteira. A empolgação é enorme. Quando eu estava jogando o tie break '(o quarto set ee último set) estava chorando em quadra, é a emoção de ver tudo o que isso significa, não só para si mas para todo mundo que está lá na arquibancada. Mas se a ITF facilitasse seriam os melhores jogadores do mundo competindo regularmente.
P - Quando se há uma crítica, muitas vezes existe uma proposta. Qual a sua para melhorar a situação?
(Sério novamente isso? Será que o povo da ITF e o resto do mundo não lê/ouve o Rafa, porque eu já tô com essa resposta na ponta da lingua de tantas e tantas vezes que ele já falou sobre isso.)
RN - Davis Cup de dois anos, mas não para ser jogada a cada dois anos, mas que dividam as eliminatórias nesses 24 meses, duas por ano.
P - Mas é provável que a ITF não aceite nunca, porque iria reduzir o dinheiro que flui para os seus cofres.
RN - Talvez, mas quanto mais ofertas menos valem as coisas. Podem aumentar o nível da televisão, os patrocinadores e as federações nacionais podem emprestar mais dinheiro para as cidades que desejam hospedar uma eliminatória porque isso parece tão repetitivo. Quanto menos mostram uma coisa mais cara ela fica e vice-versa. Por que o camarão é tão caro? Porque há menos! Por que pagam esses milhões para os Jogos? Porque pagam ... Melhor não dizer! Só com direitos de TV, que ganhou o Comitê Olímpico Internacional é uma vergonha. Por quê? Porque é uma vez a cada quatro anos. Na Davis os únicos que ganham por ter uma por ano é que os melhores jogadores do mundo não jogam bem e que eles perdem prestígio. Mas não entendem. Enfim.
P - Surpreendeu, talvez, o momento em que anunciou sua renúncia.
RN - Foi assim e acho que era o momento. Tínhamos ganho. E se não tivéssemos, nós estávamos na mesma: seria a primeira rodada e `oh!Não joga?'.Poderíamos ter esperado 24 horas, sim, mas então você tem que fazer uma declaração, que é mais frio. Você diz na frente das pessoas e é isso.
P - E o novo capitão. Que tal?
RN - Não falei com ele ainda, acho que vamos nos ver na Austrália, mas, bem, Alex merece. É um dos candidato claro, como foi Carlos Moya, a ser capitão da Copa Davis, ser o capitão é o reconhecimento de uma carreira no tênis bem feito e comportamento adequado.
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