Eu vejo Nadal como não o vi há algum tempo. Permanece entrincheirado atrás da linha de base, duro e seco, pronto para entregar a alma em cada ponto, mas com aquele olhar absorto e esgotado que têm os soldados fartos de quebrar dentes pelo mundo.
Talvez ele esteja cansado de lutar com a raquete no ombro. Ou talvez não, porque eu lembro de o ter visto em centenas de situações extremas, atolado na lama até o pescoço e sem saída. E é quando ele mostra o que é: um lutador com fome que sabe buscar a vida e encurralar o inimigo e defender o indefensável.
Isso ele leva no sangue. Em seu DNA. Tudo ele defende na solidão da quadra, aprimorando as armas antes da luta e acreditando que no próximo jogo ele defende a vida. Nadal não sabe jogar de outra maneira, por isso ele é quem é. Cão soldado do Técio de Flandres, o legionário indômito que morre matando.
O Último Templário em uma cruzada que muitos negativistas já dão por perdida: defender o título conquistado no sangue no Aberto dos EUA do ano passado. É verdade que em seu jogo falta agressividade, faísca e o melhor saque. Também é raro vê-lo sofrer diante de jogadores que em outras situações seriam meros coadjuvantes ou pedras de toque para desafios maiores: Golubev o fez sofrer muito além da conta.
Este soldado espanhol vem de horas de baixa e perdeu uma batalha, mas não a guerra. E não a perdeu porque o seu crédito é infinito. Um crédito que ele ganhou em todos os continentes, sob o vento, sol ou chuva, diante de Federer, o melhor tenista da história, ou contra o novo fenômeno do tênis mundial. Alguns partem ao cobre com fome de glória ou dinheiro, mas a fé de Nadal há muito tempo já movimentou mais que montanhas.
Por Álvaro Ferreres - Yahoo Deportes!!
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Parênteses: Nunca vi um artigo tão perfeito quanto este sobre Rafael Nadal!! Não há nenhum comentário que possa expressar minha emoção ao ler as palavras do senhor Álvaro sobre esse exemplo de homem chamado RAFAEL NADAL.

