P: Parece que você teve um dia difícil. Talvez o vento? Quais são suas impressões sobre esse jogo?
RAFAEL NADAL: Bem, acho que em alguns momentos eu joguei um pouco melhor. Em outros, tenho certeza que não joguei tão bem. Eu acho que, em geral, a partida não foi boa para mim. Não por causa do vento. Eu estou treinando muito bem, e quando vou aos jogos, não jogo bem. É só por isso. Não tem outra desculpa.
P: Andy Murray disse que hoje estava muito difícil as condições na quadra, hoje, as quais estavam realmente fazendo um efeito sobre a partida. Então você que essas condições climáticas não o afetaram?
RAFAEL NADAL: Ah, com certeza. Claro, que as condições afetam, mas é melhor encontrar soluções dentro de mim do que fora. Se tem vento, é o vento. O problema é você está jogando bem ou mal, você sabe, se você jogar bem, parece que a influência do vento é muito menor. Se você estiver jogando mal, parece um furacão. Então acho que não foi um dia fácil, mas, em geral, pode-se jogar bem com essas condições. Não é um grande problema pra mim.
P: Você acha que teve um melhor controle da bola hoje do que contra o Isner ou os mesmos problemas? Ou você acha que melhorou um pouco e em quê?
RAFAEL NADAL: Meus movimentos ainda estão um pouco lentos. Bem, na minha opinião - não, foi um pouco de azar depois de muita sorte, você sabe. Porque depois do primeiro set - eu tinha 03/05 no saque. Eu tive 3-2, 4-2 e servi em 5-2. Tive muitas chances de fechar o primeiro set e não o fiz, tornando-o difícil pra mim. Depois que eu ganhei com 7-5. Depois que eu tive 2-0 3-0 e pude jogar com um pouco mais de calma e ser um pouco mais agressivo, tentando coisas diferentes para obter confiança. Mas eu nunca tive realmente essa vantagem em quadra. Quando eu quebrei o saque dele, ele sempre me quebrou de volta. Então isso foi um problema que me impediu de jogar um pouco melhor, ou tentar, de qualquer maneira. E depois disso, sério, eu acho que tive muita sorte no 5-1, com certeza. Mas eu tive muita sorte em geral, em todo o conjunto. Isso é certeza, não? Após o 5-2, eu acho que joguei melhor. Acho que joguei melhor quando direcionei contra backhand dele, explorando um pouco mais de forehand. Portanto, não estou feliz, mas eu estou aqui. (Risos)

P: Você disse que não jogou muito bem hoje. O que poderia justificar isso? É técnica ou confiança ou, sei lá, o vento?
RAFAEL NADAL: Os problemas todo mundo sabe, as soluções são mais difíceis. O problema é que eu não estou sendo suficientemente agressivo, não porque eu não tente, mas não estou vendo a bola o suficiente para saber o momento de entrar e bater, mudando a direção dos golpes. Provavelmente estou jogando um pouco nervoso, e é por isso que as pernas não funcionam tão bem quanto o usual. Meus movimentos devem ser mais dinâmicos, mais elétricos, para achar a posição certa de bater bem na bola. E se eu fizer isso, posso conseguir uma grande mudança. Porque nos treinos, eu faço isso constantemente, por isso é provavelmente um problema mais mental do que qualquer outra coisa.
P: Mas é a falta de confiança que faz com que você não vá muito bem, ou é a execução não muito boa que lhe deixa sem confiança?
RAFAEL NADAL: Bem, eu diria que o início de Roland Garros é sempre difícil para mim, mas, ao mesmo tempo, você sabe, eu não estou jogando o meu melhor. Eu não sei se é a confiança ou o que é, mas tenha certeza que eu tentarei o meu melhor. Eu acho que joguei com uma atitude fantástica hoje. Eu não joguei o meu melhor, mas estive lá o tempo todo . Eu lutei com cada bola o tempo todo e tentei encontrar soluções para jogar melhor. É o que vou tentar amanhã quando for treinar, vou tentar o meu melhor em cada momento. Vamos ver.
P: A vitória é sempre uma vitória, mas no passado você era tão dominante. Você não perdia sets. Você poderia especificar onde estão focados os seus pensamentos, em particular a sua confiança? Você está tão confiante como antes ou não? Principalmente a sua concentração, por favor.
RAFAEL NADAL: Perdi partidas este ano, não sets. Perdi duas partidas no saibro. Mas quanto a ser dominante ou não, eu era dominante. Joguei todas as finais, eu só perdi três sets nos torneios, antes de chegar às finais, e só perdi duas finais. Então, eu estava sendo dominante. Mas aqui eu não estou jogando muito bem, e eu vou tentar jogar muito melhor na próxima vez. Isso é o que eu posso dizer, e é isso que eu posso pensar, tentar o meu melhor em cada momento, tento ser positivo, como eu fiz hoje durante todo o jogo. Veremos o que acontecerá depois.
P: É raro - é bastante incomum para você ter um breakpoint contra. É frustrante? Você pode tentar explicar o que acontece quando você tem o ponto do jogo, tem o serviço para quebrar e você não consegue convertê-lo? É neste momento que você está se sentindo mais nervoso que o habitual?
RAFAEL NADAL: Eu não entendi.
P: Geralmente, quando você tem várias chances confirmar o saque...
RAFAEL NADAL: Sim.
P. – E perde o saque. E parece que hoje você foi mais quebrado do que o habitual...
RAFAEL NADAL: Hoje, sim. Isso foi o que aconteceu. Eu acho que não servi muito bem, eu não bati o bastante na bola. E ele jogou muito agressivo quando tinha a chance de quebra. Ele foi muito agressivo na devolução depois de ter bons saques. Ele tem um ritmo muito bom com a bola, boa movimentação. Eu acho que ele é um bom jogador. Com certeza não foi um jogo fácil. Todos os jogos são difíceis. Você só ganha fácil quando é perfeito. Se não, você tem que sofrer um pouco.
P: Você disse que é fácil ver o problema, difícil é encontrar a solução. Quando você percebe que está devolvendo curto, o que passa pela sua mente? O que você tenta fazer? Imediatamente você tenta mudar, bater mais forte, ou pensa em mudar, talvez a raquete?
RAFAEL NADAL: Raquete?
P: Quer dizer, você nunca sabe. As cordas, a tensão. Você espera os próximos games com as bolas novas. O que passa pela sua mente, se você percebe que sua bola está curta como hoje?
RAFAEL NADAL: Eu não sou tão bom assim. Isso é o que eu penso. Eu não penso na raquete. Eu não penso na bola. Eu penso em mim mesmo. Sempre é culpa minha. Não é culpa do resto das coisas. Se eu estou jogando mal, se estou jogando curto, se eu estou jogando muito, é minha culpa. Não é culpa das raquetes ou o vento. É sempre...
P: E as pernas?
RAFAEL NADAL: Mas as pernas são minhas, não? (Risos) Então essa é a verdade. O que eu penso. Tentarei jogar mais na próxima vez. Mas tentarei encontrar os movimentos corretos para ter confiança para bater na bola. A coisa mais importante é tentar atingir o máximo de - 70% das bolas semelhantes. A mesma altitude, a mesma rotação. Então, se você pode repetir a mesma bola, quase sempre você vai ter a chance de começar a jogar por mais tempo, para começar a jogar escolhendo as melhores direções. Mas a coisa mais importante no início antes de ir para o próximo passo é ter o controle da bola, e ter o controle da bola, é saber se você vai acertar a bola um metro acima da rede, dois metros, ou meio metro. Essa é a primeira parte da melhoria. Estou nessa parte.
P: Agora, você disse que tinha treinado bem, que sua atitude foi boa, mas depois disse que talvez fosse algo mental. Então, o que estava acontecendo em sua mente? Como é que você está diferente?
RAFAEL NADAL: Bem, o que está errado em mim é o meu trabalho de pés, minhas pernas. Mas eles estão muito ligados à minha cabeça. Talvez eu esteja mais nervoso que o habitual. Eu não sei. Mas eu acho que é o meu trabalho de pés. Eu acho que é o problema. Eu tenho que superar isso, senão eu vou voltar para casa imediatamente. Só há essa escolha: Ou eu melhoro, ou vou voltar para casa. O que eu quero é melhorar neste torneio.
P: Pablo poderia ter vencido dois sets. Ele teve dois set points. E você disse que já jogou mais de sete horas em duas partidas. Isto é algo que freqüentemente ocorre. Seu jogo é normalmente longo. Mas isso significa muita pressão sobre você. A pergunta é: Será que isso tem impacto sobre o teu jogo?
RAFAEL NADAL: Bem, talvez a pressão seja para jogar as finais com Djokovic. É isso que você quer dizer? Eu não tenho nenhuma pressão. Eu não estava pensando nesses pontos. Não é algo que importa muito para mim. Estou muito feliz com o que eu fiz. Eu acho que não preciso tentar provar nada mais para mim mesmo. Eu sou afortunado o suficiente, tendo em vista tudo o que eu tenho em casa, com todos os troféus que ganhei até agora. Ninguém poderá tirar isso de mim. Então todo mundo colocar pressão em mim agora é relativo. Na idade de 24 anos eu fiz tantas coisas, muitas coisas mais do que eu poderia ter sonhado em minha carreira. Então é uma questão de encontrar o meu jogo, o melhor tipo de jogo para mim. Frankly, eu acho que eu gosto de jogar partidas longas. Eu não acho que isso é ruim para mim, jogar partidas longas. Pelo contrário, esta é uma boa preparação física e mental para mim durante o torneio.
Depois disso, é claro que preciso melhorar meu jogo, do ponto de vista qualitativo. Isto é o que eu comecei a fazer. Bem, por enquanto, é verdade que eu estou jogando melhor durante os treinos do que nos jogos.
P. (microfone desligado.)
RAFAEL NADAL: Bem, os três primeiros foram sorte. Foi de 40 - 0. Isso é o fim do set. Eu pensei que não poderia fazer muito mais que isso. Mas depois, quando veio a igualdade, eu pensei, oh, talvez eu possa construir minha confiança novamente. Vou tentar relaxar um pouco. Então, quando eu cheguei a 5-2, vi que não perdi o set. Então nós tivemos vários rallies, e foi aí que eu pensei que poderia ganhar mais dois pontos. Então fomos a 5-3, ele estava sentindo a pressão. Quando eu pensei que teria que bater bem dentro da quadra, para não cometer erros não forçados. Eu não cometi nenhum erro. Ele ganhou alguns pontos. Eu não estava jogando longo o suficiente. No entanto, eu realmente não estava cometendo muitos erros. E então a pressão estava sobre seus ombros, porque tinha vindo de uma posição favorável para baixo, a este nova posição. Depois tive um pouco de sorte, 5-4, e depois o tiebreak e este dropshot, também. Mas essas são coisas que sempre podem acontecer. Então eu vou consegui melhorar o 5-1 até ao 5-5.
P: No outro dia quando estava jogando contra Isner você sentiu que o jogo não foi muito bom, e hoje você teve alguns problemas em seu saque. O que isso significa?
RAFAEL NADAL: Bem, eu queria devolver agressivamente. Meu saque não foi tão ruim, mas depois eu queria mudar minha tática um pouco e devolver as bolas com backhand. Depois de tudo, que estava tudo bem, então eu decidi colocar mais spin nas bolas e bater mais força. Era quando, normalmente ele devolvia melhor. Eu tive que mudar muito na quadra, então eu mudei um pouco a estratégia de saque, e eu pensei que era uma boa idéia porque eu pude ver a primeira bola melhor.
P: Eu tenho várias perguntas. Minha primeira pergunta é: Parece que quando você joga na quadra Lenglen, você realmente não joga tão bem. Eu tenho outra pergunta. Pablo disse que queria jogar como se fosse Djokovic. O que você acha disso?
RAFAEL NADAL: Bem, ninguém pode jogar como Djokovic, porque há apenas um Djokovic, para responder a sua pergunta. De qualquer forma ele tendo dito isso ou não, eu posso te dizer que é impossível jogar como Djokovic. Todo mundo tem seu próprio estilo. Você não pode tentar imitar qualquer outro jogador. Claro que você pode tirar algumas idéias aqui e ali, mas alguém copiar, isso é absolutamente impossível. Se agora eu quisesse jogar como Roger Federer, eu não conseguiria fazer isso, ou dizer que eu queria jogar como Murray, eu não conseguiria isto. Todo mundo 'tem suas próprias habilidades. Todo mundo tem seu estilo próprio jogo. Mas há jogadores que têm menos a perder do que eu, provavelmente. As pessoas poderiam jogar mais agressivamente, ser mais um atacante ou devolver as bolas de forma diferente. Mas, como eu disse antes, eu não acho que joguei mal. Juan, cometi alguns erros, também. Eu acho que a temporada no saibro dele foi excelente. Eu acho que ele é muito coerente com o seu ritmo. Ele é muito intenso quando ele bate as bolas, elas são bolas muito pesadas, e seus pés são realmente excelentes. Ele devolve as bolas muito bem. Eu acho que tem um monte de coisas que ele ainda pode fazer.
P: Bem, você estava dizendo que normalmente as primeiras rodadas não são realmente boas, mas vamos olhar para 2011. Quer dizer que o início de 2011 está sendo melhor, pior ou do mesmo jeito?
RAFAEL NADAL: Bem, eu perdi dois sets, mas não o jogo. Você sabe, eu não gosto dessas comparações entre anos. Eu não sei se eu vou ganhar pela sexta vez. Nós devemos falar sobre o presente. Devemos falar sobre os problemas que temos hoje e as soluções que eu tenho de encontrar. Temos que pensar sobre isso. Eu sei exatamente o que eu tenho que fazer. Tenho que melhorar dia após dia. Você não pode ir 0-50 ou 0-100 ou 15-30, 30-45. É cada ponto que conta. Você tem que ir pouco a pouco, se puder. Se não for possível, então volta para casa. Essa é a questão. Se eu não puder fazer isso, eu vou pescar em Mallorca, mas cada dia eu vejo algum tipo de melhoria, então pra mim tá tudo bem. Já cheguei à terceira rodada. Eu ainda estou aqui na frente de você. Eu vou fazer o meu máximo amanhã, para que meu treino seja como o de ontem, que foi muito positivo. Eu treinei muito bem. Talvez hoje não estava preparado para este tipo de jogo. No entanto, o meu aquecimento desta manhã foi muito bom. É realmente um bom sinal, você sabe. Jogar bem é uma coisa, mas se o meu treino é ruim e eu jogo mal nas quadras, então eu diria que eu tenho que mudar alguma coisa. Mas o meu treino foi bom, e eu não joguei tão mal. Então, para começar, esse é o meu ponto de partida. Então eu vou continuar e tentar melhorar, para que o próximo jogo eu jogue melhor e assim por diante e assim até a quarta rodada. Isso foi o que eu decidi fazer. Vou tentar manter isso. Eu farei o meu melhor, como eu disse. Se eu não puder fazer isso, vou voltar para casa. Eu vou dizer, ok, eu fiz o meu melhor. De volta para casa.
P. Bem, seu próximo adversário será Antonio Veic da Croácia. O que você sabe sobre Veic?
RAFAEL NADAL: Bem, eu joguei contra ele, mas não com frequência. Eu não o assisti jogar. Eu não assisti o jogo, mas provavelmente pra ele ter derrotado Davydenko, é porque ele é um bom jogador, eu acho. Vou tentar fazer o meu melhor. Vou tentar encontrar o meu próprio tênis, o meu próprio jogo, e então eu vou rezar para que isso seja suficiente para que eu possa ganhar.
P: Eu tenho uma pergunta sobre o seu trabalho de pés e como você mudou em quadra hoje. Minha pergunta é: Você acha que é melhor para você jogar atrás da linha de base ou não?
RAFAEL NADAL: Bem, o importante é o trabalho de pés e de estar onde você tem que estar na quadra. Se você estiver jogando a partir da base, mas você acertar as bolas, tudo bem. Se você bater as bolas muito profundas, que é um estilo diferente, automaticamente você vai avançar para o centro da quadra. Se você acertar as bolas corretamente, então, você pode entrar mais na quadra. Isto é o que eu vou tentar fazer, provavelmente para que eu possa acertar as bolas de uma forma melhor. Nisto é o que eu vou estar trabalhando. A partida do Del Potro contra o Djokovic será certamente um jogo incrível. Às vezes, a turnê é a mais injusta quando os jogadores têm de fazer isso. Se fosse comigo, gostaria de alterar o regimento interno. Mas, enfim, essas são as regras para o momento. É isso. Vamos aceitá-las. E, claro, alguns rankings são mais protegidos do que os rankings de outros é o que acontece. Vamos ver. Vamos ver o que acontece. Mas eu acho que é um pouco de má sorte para os dois jogadores.
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Olha a @FabiolaNadja tá de parabéns, traduziu toda a entrevista coletiva de orelha. Decifrou o Espanglês do Rafa só pra gente ler.
Valeu pela dedicação ein Fabi!