segunda-feira, 4 de julho de 2011

Final de Winbledon 2011 - por Carlos Moya

Muito rápido
Carlos Moya
Começando pelo final: Ânimo, Rafa! És um craque e sempre seguirá sendo!
Rafa gosta de tudo mais longo, com mais pausas, mais demorado. Embora seja difícil saber como ele poderia parar o jogo, que não estava no seu ritmo.
A partir daí, analisamos o que aconteceu na final de Wimbledon. Durante os dias anteriores, detectava-se no grupo de trabalho de Rafa muita animação pelo alto nível do tenista de Mallorca durante o torneio, porque eles acreditavam que o fator mental, as quatro derrotas consecutivas para Novak Djokovic não ia ser decisivo no jogo. Havia piadas e bom humor nos treinamentos. O ambiente era descontraído, diferente quando há o estresse geralmente se Rafa não está jogando bem ou tem dúvidas. Acho que ele pensou que o encontro seria diferente, imaginou um encontro apertado para o oponente. Depois veio a final. Eu não vi que tinha muitas chances de virar o marcador. Por quê? Em minha opinião, acho que tudo foi muito rápido.
Os dois primeiros sets duraram 74 minutos. O terceiro também Rafa ganhou muito rapidamente, dentro de meia hora com exatidão. No final, foram apenas 2h 28m de partida. Rafa gosta de tudo demorado, com mais pausas. Embora seja difícil saber como ele conseguiria parar um pouco o ritmo do encontro, aquele não era o seu ritmo.
Para mim, a chave foi o ponto de quebra do primeiro game do quarto set. Lá, Djokovic abriu a porta. Rafa entrou. E quando parecia que tudo estava igual, que esse game lhe manteria definitavemente na partida, Rafa não conseguiu convertê-lo. Foi a chave: Rafa ia para cima e o sérvio ia para baixo. Até então, eu via a partida sempre controlada por  Djokovic , mais em sua mão. Começo a pensar que Novak gosta do desafio de Rafa, ele se sente confortável de disputava a supremacia, perturbando a ordem estabelecida.
Algumas pessoas querem agora comparar quem tem a vantagem mental que Rafa tem sobre Roger Federer com a que Djokovic supostamente tenha sobre ele. Eu não vejo assim. Quando um rival que lhe ganha muitas vezes, até mesmo em seu território sobre o saibro, o fator mental é algo que você já não tem a favor, é claro. Você sabe, que nos momentos importantes e iguais do jogo, nesses momentos você precisa de mais, e não terás a teu favor a parte mental. Ainda mais quando o sérvio, como sabemos, não fica nervoso nos momentos difíceis. Mas não me parece comparável. Eu não o vejo afiado mentalmente. Rafa ganhou 16 vezes do sérvio [Djokovic vence pela 12]. Sabe como fazê-lo. Acho que agora os seus duelos são uma questão de inspiração, embora agora não encontre uma maneira de vencê-lo, as coisas podem mudar. Simplesmente, Novak está inspirado, só isso.
No meu caso, aconteceu comigo e com Federer, de quem eu nunca consegui ganhar, mas são histórias diferentes. Havia uma diferença de nível. Eu nunca lutei com ninguém pelo grande número um. Não havia dúvidas de táticas. Rafa é muito diferente de mim. Mentalmente, não há comparação.
O Aberto dos EUA. está por vir e todo o país está com você. Coragem e boa sorte!

Fonte: EL País.com