terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Artigo - Marca (Australian Open 2012)



 Rafael Nadal se classificou para as semifinais do Australian Open depois de derrotar em quatro sets Tomas Berdych, um rival que ele venceu nos últimos dez jogos. O espanhol, campeão do torneio em 2009, a única coisa que o separa da final é Roger Federer, que venceu Juan Martín Del Potro nas quartas de final.

Ataque, defesa, ataque, defesa, ataque, defesa... A tática seguida por Rafa Nadal parece debate nacional. Como desabrocha a margarida, o espanhol melhorou seu desempenho na Austrália nos últimos dois anos e se classificou para as semifinais após derrotar o tcheco Tomas Berdych por um placar total de 6/7 (5), 7/6 (6), 6/4, 6/3 após quatro horas e quinze minutos de jogo em um confronto disputado na Rod Laver Arena.


 “Eu pensei que o juiz de linha tivesse cantando ‘out’. Não acertas uma, Carlos (Bernardes). Não acertas uma”. Estas palavras foram ditas por Nadal depois de perder o primeiro set em morte súbita. O mini-break veio depois de uma bola duvidosa de Berdych no fundo da quadra que o espanhol achou que era fora, mas não pensou que o juiz de linha havia parado a jogada. Berdych aproveitou a oportunidade para assumir a liderança com um ace. Isto depois de uma hora de trocas em que Nadal foi de mais a menos. 


Começou o jogo forte, agressivo, acrescentando golpes vencedores e tendo o comando dos pontos com uma direita mágica, mas desapareceu no fundo da quadra diante dos saques do tenista tcheco. Ele passou de atacar para defender, de jogar um passo a frente da linha do fundo a um passo atrás. Ainda teve de salvar um 0-40 e uma vantagem na morte súbita dos adversários. Foi inútil o feito épico, já que o tcheco venceu o set.

Então, assim vivemos a partida entre Rafael Nadal e Tomas Berdych

Com a raiva ainda permanecendo em sua cabeça, Nadal começou o segundo set salvando um 15-40 no game inicial. Resolveu o problema e aplaudiu a si mesmo com um Vamos! Marca da casa, o espanhol começou a reação. Com seu orgulho ferido, colocou o coração e o desejo de confirmar o primeiro break do duelo no quarto game. A ruptura foi seguida por um apagão que permitiu a Rafa fazer 5-2 ao seu favor. O espanhol, no entanto, viu seu rendimento nebuloso. Berdych responde a tempo graças a um saque inconstetável (chegou a sacar a 219km/h) e fazendo valer a seu tamanho  nas subidas a rede. A direita paralela de Rafa não funcionava, as dúvidas não desapareceram. Nadal conseguiu fechar o set antes de chegar ao tie-break, mas teve que recorrer a um novo apagão para colocar o equilíbrio no placar.

O início do terceiro ser marcou o ponto de viragem no jogo. A ruptura fez Berdych reagir a Nadal,  que mudou o chip imediatamente. A briga foi muito exigente, também, e supostamente a linha física neste momento da temporada é um mistério em situações extremas. O relógio da arena encontrava-se sem munição e a partida ainda teria que descobrir seu destino. Rafa mudou a estratégia. Deixou de lado a potência e recorreu aos efeitos, um esquema do passado que serviram para desequilibrara a mente ainda fraca do seu rival, que viu seu rival confirmando quatro games consecutivos para passar de 0-2 para 4-2 e administrar a vantagem parcial. Então, o Box de Rafa enfim respirava (Toni Nadal, Miguel Angel Nadal, Sebastian Nadal, Rafael Maymó, Joan Forcades, Benito Perez-Barbadillo) tranqüilidade certificada com um novo break no início do quarto set. Lutando para manter a vantagem, porque Berdych nunca jogou a toalha, mas no final Nadal sabia e era capaz de colocar um ponto final. Então , passadas quatro horas, Nadal desenhava winners, passadas com efeito e direita cheia de top spin e revés cruzados que lembra os momentos gloriosos do passado.

Com um plus de confiança, ele havia superado a barreira de quartas de final, onde foi eliminado em Melbourne nas duas últimas edições (diante de Andy Murray em 2010 e David Ferrer em 2011), Nadal enfrentará agora Federer, um clássico do tênis que terá seu vigésimo sétimo capítulo. Nos anteriores, 17-9 para Rafa.